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Uma des-graça

Afasta este impulso
– de felicidade não se fala –
Oxalá fosse uma lágrima dorida
Quiçá uma chaga exposta
Quiçá fosse um delírio consternado...
– mas riso, luz, cor?! –
Mande para o inferno
estas palavras alegres!!!

As mais vãs e pobres poesias
Nasceram de uma felicidade.

Afasta este impulso.
Deixa que apenas a dor
Passeie em teu papel.


Escrito por Júnia Mara às 10:27:09
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Viagem

"Oh! tristeza me desculpe
'tou de malas prontas
hoje a poesia veio ao meu encontro
já raiou o dia, vamos viajar."

João de Aquino e Paulo César Pinheiro.

Escrito por Júnia Mara às 11:49:35
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O meu tempo

Não existe hora certa, existe o meu relógio
lembrando sempre com seu tic-tac
Que há vida
Para ser vivida,
Que houve a vida
Que não se viveu.
Não importa que o rádio renitente ruja
São tal hora e tal minuto,
Hora oficial,
Afinal.
Que há de oficial em minha vida?
Somente,
Quebrando a paz exata deste espaço,
Levando a mim 'a frente, sem retorno,
O tiquetaquear meu ser-serei,

Existe o meu relógio -
pulso falso
Sensato solilóquio, lento certo

Que canta
o canto
Do tempo

Que é meu.

Ildásio Tavares


Escrito por Júnia Mara às 11:17:38
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Meu mundo de novo

/É como se a luz invadisse o meu corpo/

luzes e brilho

cores e anjos e melodia

e Paz...

O plúmbeo se esvai

E rio... porque o mundo sou eu.

(...)

Posso senti-lo, dominá-lo

Estou viva enquanto a vida acontece aqui

e em mim só vontade de ser

gana de conhecer

e saber que posso muito mais.

Minha alma reluz

porque sinto-me voltar inteira, plena

calorosamente iluminada

 

E rio... porque o mundo

(novamente) sou eu.



Escrito por Júnia Mara às 17:45:04
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UM AUSENTE (Drummond)

Tenho razão de sentir saudade, tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora. 
Detonaste o pacto. Detonaste a vida geral, 
a comum aquiescência de viver 
e explorar os rumos de obscuridade,
sem prazo, sem consulta; sem provocação, 
até o limite das folhas caídas na hora de cair. 
Antecipaste a hora. Teu ponteiro enloqueceu, 
enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave  
do que o ato sem continuação, o ato em si, 
o ato que não ousamos nem sabemos ousar ... 
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti, 
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso,
voz modulando sílabas conhecidas e banais,
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades. 
Sim, acuso-te porque fizeste o não previsto 
nas leis da amizade e da natureza 
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

Escrito por Júnia Mara às 11:01:48
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Tradução

Ando com meus pés

Desacredito a felicidade

***

Sou dono dos meus passos

Sigo tua estrada.



Escrito por Júnia Mara às 10:28:58
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Natal é data em que todos desejam coisas iguais a pessoas diferentes...

E ficamos procurando as mesmas palavras de todo ano -

Paz, amor, prosperidade...

 

Não vou fazer o mesmo pedido.

 

 

Desejo que você faça diferente. Que viva o Natal.

Longe das utopias, perto dos sonhos e de suas concretizações.

 

Não deseje calor, abrace.

Não deseje alegria, sorria junto.

Não deseje afeto, afague.

Não deseje Amor, o dê.

 

Que o seu Natal seja diferente.

Que escreva menos e faça mais.

 

E que os anjos estejam contigo!



Escrito por Júnia Mara às 16:52:59
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Interregno

 


Sofregamente sente

e necessita vomitar o verbo

A tinta tremendo

tenta alcançar o papel...

mas o pensamento é fugidio

e

antes que se firme como letra,

Fica o verso

inacabado.



Escrito por Júnia Mara às 08:27:15
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Uma foto

 

 cada qual com sua arte, tentando assim chamá-la...

 quer seja num risco ou tela em aquarela,

 agredindo nossos olhos com tanto vazio...

 Aqui, nenhuma pretensão...

 apenas para a saudade dos meus amigos

 que não comentam, mas sei

 que estão aí.



Escrito por Júnia Mara às 11:44:55
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                                                                                                         Jornada inútil


Carrego nas costas um fardo

sem pressa, me pesa e me atrasa

insiste em cravejar em minha espádua

enquanto conto horas para chegar mais cedo.

Triste fim que no limiar do alcance,

percebo

que não deveria ter partido e agora,

tenho que continuar

como se fora preciso,

como se fora almejado

fingindo ser o caminho

por tempos procurado

(...)

e quando meus pés se aproximam

e tocam a crueza do dia,

calo...

pus e sangue anunciam

que nem na poesia

o mundo é possível

Tampouco reinventado.

 

 



Escrito por Júnia Mara às 10:44:02
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